Ciência e Saúde

DAR UM MEDICAMENTO A QUEM PRECISA

Realizou-se, no sábado passado, a IX Jornada de Recolha de Medicamentos em 222 farmácias comunitárias de norte a sul do país. É uma iniciativa da Associação para a Assistência Farmacêutica. Decorre nas Farmácias aderentes ao Banco Farmacêutico e apoia cerca de 100 Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS).

A Jornada de Recolha de Medicamentos encontra-se na nona edição. O projeto consiste na recolha de medicamentos não sujeitos a receita médica e produtos de saúde para instituições de solidariedade social. O JUP falou com Ana Formigal, porta voz do Banco Farmacêutico, que informou que “a principal função do projeto é recolher o máximo número de medicamentos que sejam essenciais para ajudar cada uma das IPPS”.

“Igualmente importante é o papel que os voluntários irão desempenhar ao longo de toda esta ação, estando presentes em cada farmácia e divulgando o Banco Farmacêutico a todos os utentes”, acrescenta Ana Formigal. A responsável refere também que “a maioria dos voluntários provêm das IPSS apoiadas mas temos também protocolos com a Associação Portuguesa de Estudantes de Farmácia (APEF) e com outras associações de estudantes. Temos também um protocolo com a Associação Cura+.”

Para conhecer a experiência dos voluntários em relação às Jornadas, o JUP falou com Andreia Moreira e Maria Marques, estudantes do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto.

Fotografia por Andreia Moreira
Fotografia por Andreia Moreira

Andreia Moreira vê a iniciativa como “uma ação que pretende sensibilizar a sociedade, consciencializando os cidadãos dos problemas existentes no seio das suas comunidades.”. Sobre a interação voluntário/utente, explica que “o voluntário deve, numa primeira abordagem ao utente, expor a natureza da iniciativa mostrando-se disponível para esclarecer qualquer dúvida sobre a mesma.”

Maria Marques destaca a boa interação entre os utentes e farmacêuticos. “Posso dizer que aprendi muito com os farmacêuticos que me acompanharam durante o tempo que estive na Farmácia”, refere. “Senti também que as pessoas com que falava ficavam sensíveis à causa e que tentavam ajudar com o máximo que podiam”, acrescenta a voluntária.

Ambas as estudantes afirmaram que a experiência foi extremamente enriquecedora. “No final, quando olhei para a caixa de recolha de medicamentos, senti que foi muito recompensador ter estado ali porque, de facto, pequenos gestos podem mesmo fazer a diferença”, remata Andreia Moreira.

Em relação ao desenvolvimento da adesão das Farmácias Comunitárias às Jornadas, Ana Formigal comenta que “as farmácias aderem com entusiasmo e cada vez em maior número. Para ter uma ideia da evolução dos números, em 2015 aderiram 132 Farmácias, em 2016 aderiram 166 e em 2017 contámos com 222 Farmácias Aderentes”, explica.

Na verdade, o volume de medicamentos doados são o reflexo da adesão positiva por parte dos utentes e voluntários – 10.050 medicamentos doados em 2015 e 10.500 em 2016. Neste ano, espera-se ultrapassar aqueles números.

Quando a doação termina, os medicamentos são recolhidos por uma das instituições apoiadas ou por uma empresa parceira. São depois entregues ao profissional de saúde da instituição que fará, posteriormente, a respetiva distribuição.

Fotografia por Farmácia Moreno
Fotografia por Farmácia Moreno

A X Jornada de Recolha de Medicamentos já tem data marcada. Acontece no segundo sábado de Fevereiro de 2018. Quando questionada sobre os objetivos para o futuro da jornada, Ana Formigal responde que “o nosso plano para a próxima Jornada de Fevereiro de 2018 é chegar a todos os distritos de Portugal Continental e Ilhas e comemorar assim da melhor forma o décimo aniversário do Banco Farmacêutico.”.

O Banco Farmacêutico nasceu em Milão, de uma colaboração entre a Companhia das Obras e a Associação Lombarda dos Proprietários de Farmácia. A primeira Jornada de Recolha de Medicamentos decorreu em Dezembro de 2000 em Itália. Atualmente, abrange cerca de 3.500 farmácias e já beneficia mais de 450 mil pessoas carenciadas.