Ciência e Saúde

TALK A BIT: CONFERÊNCIA SOBRE O IMPACTO SOCIAL DA TECNOLOGIA VOLTA À FEUP

A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) recebeu este sábado nove convidados para discutir o impacto social da tecnologia, na quinta edição da Talk A Bit.

A Talk a Bit é um evento organizado pelos estudantes do Mestrado Integrado em Engenharia Informática e Computação (MIEIC). O seu objetivo? “Inspirar os criadores do amanhã a agirem com maior responsabilidade social”.

O JUP marcou presença no evento, onde oradores tanto de colossos da Internet como de pequenas empresas abordaram temas como a aprendizagem, a igualdade e integração social ou a gestão de dados.

“A análise de dados permite-nos prever o futuro.”

A primeira oradora, Isabel Portugal, apresentou e definiu a sua profissão: data scientist (cientista de dados). “Um data scientist é uma espécie de unicórnio. Precisa de saber um pouco de tudo: de matemática e estatística avançada, de saber programar, e de ser uma pessoa de negócios”, explicou.

A palestrante da empresa Veniam, responsável pela gestão do serviço de Wi-Fi nos transportes públicos do Porto, reforçou a importância não só da captação de dados, mas mais importante do que fazer com eles.

“A análise de dados permite-nos prever o futuro”, garantiu. Abriu também os horizontes para o futuro sugerindo que realidades como carros auto-dirigidos com tráfego otimizado, automonotorização e prevenção do estado de saúde e casas inteligentes são conceitos “que se encontram ao nosso alcance”.

Isabel Portugal terminou com o exemplo das indústrias que estão a investir na recolha de informação das grandes quantidades de informação que possuem. Atualmente, a informação alimenta sistemas de marketing direto e mecanismos de recomendação.

“É necessária uma escola digital para preparar para um mundo digital.”

O segundo orador, António Moreira, professor auxiliar do Departamento de Educação e Ensino à Distância da Universidade Aberta, falou sobre ambientes educacionais emergentes.

O docente fez um apelo à evolução na educação, “não desprezando os ambientes conservadores”, mas incitando os professores a “se registarem no admirável mundo novo que é a Internet”.

“É necessária uma escola digital para preparar para um mundo digital”, acrescentou. O professor ainda salientou a importância do fator para o combate de passividade e desenvolvimento da autonomia, “a competência chave do século XXI”. O apelo foi claro. Precisa-se de “uma educação mais acessível, flexível e inclusiva”.

 “Os heróis não estão só na TV, temos o poder de escolher quem queremos ser.”

Seguiu-se Hugo Aguiar. O orador explicou como passou de funcionário-modelo na Google a co-fundador da SPEAK.SOCIAL, uma empresa que ajuda refugiados e emigrantes a integrarem-se nas suas novas cidades.

“A linguagem é um pequeno passo para integração” afirma o jovem empreendedor, cuja organização permite que estrangeiros aprendam novas línguas e se tornem também eles professores voluntários da sua língua. “Seguimos um modelo online para offline: as pessoas procuram-nos e encontros são combinados, geralmente em espaços inutilizados por organizações locais”.

Hugo Aguiar terminou com uma mensagem: a tecnologia pode resolver os problemas sociais, “os heróis não estão só na TV, temos o poder de escolher quem queremos ser”.

O quarto orador da tarde, Miguel Almeida, abordou o tema “Aprender as máquinas: o que não vos ensinam nos livros”. O palestrante discutiu a importância de saber detetar o que é “moda” e o que é “mérito real” no que toca ao sucesso de software de deteção de fraude e do debate “Precisão VS Amostragem”, também no âmbito da proteção online.

No primeiro coffee break os jovens estudantes informaram-se sobre a oferta das várias empresas patrocinadoras e houve ainda tempo para networking promovido pela organização.

“A inovação é uma consequência de outras ações. Não dá para ser plantada.”

Após o intervalo, foi a vez de Celso Martinho, um dos fundadores originais do SAPO e Chief Executive Officer (CEO, diretor executivo) da Bright Pixel, de falar sobre como criar uma empresa tecnológica.

O gestor deixou à audiência uma lista que resume “as lições que aprendi nos últimos 20 anos”. “Há a necessidade de ter uma cultura, que no futuro afetará o comportamento da empresa”, começou. É também necessário “ter ambição e demonstrá-la”, comunicação transparente e saber lidar com o falhanço.

De acordo com Celso Martinho, a “experimentação e erro fazem parte do caminho”. “A inovação é uma consequência de outras ações. Não dá para ser plantada”, explica o gestor. A última lição é clara: “divirtam-se”.

Bárbara Borges apresentou-se em palco para discutir o conceito de Rendimento Básico Incondicional (RBI). A software developer explicou que o RBI é “um rendimento que permite a cada cidadão, independentemente da situação cultural, financeira ou familiar, viver uma vida com dignidade”.

Tal como um open source permite potenciar toda a gente, o conceito de RBI é uma das poucas ideias concretas que pode levar a uma mudança transformadora e duradoura.

“Criar um unicórnio português.”

Hélder Dias foi o sétimo orador e apresentou em palco a Farfetch. Como “criar um unicórnio português”? Hélder explicou como um modelo de negócio disruptivo, estatísticas impressionantes, uma equipa de tecnologia de topo, “pronta a escalar” e com um espiríto de equipa transformou a Farfetch numa multinacional.

Sara Riobom subiu a seguir ao palco, para explicar como uma engenheira industrial se tornou numa escritora. Agora Sara divide o seu tempo entre o Portoallities, um blog baseado no formato de pergunta-resposta sobre a cidade do Porto e tours privadas no Porto e no norte do país.

Finalmente, apresentou-se Margarida Carvalho, funcionária da BIT Sonae. A profissional trocou o design gráfico pelo campo da experiência do utilizador e explicou como redefiniu a sua atenção para criar produtos com propósito.

No final, a organização considerou o evento um sucesso e agradeceu a participação dos oradores, do público, e dos estudantes voluntários. Talk A Bit 2018? A próxima edição está garantida.