Ciência e Saúde

CHEIRO DA ÁGUA MODIFICA COMPORTAMENTO DE PEIXES TORDO

Um estudo de uma equipa de cientistas liderada pelo Centro de Oceanografia de Baleares, do Instituto Espanhol de Oceanografia (IOS) provou que o cheiro da água modifica o comportamento de uma espécie de peixes muito abundante no mar Mediterrâneo, os peixes tordo. Os peixes nadam mais rapidamente em água com odor.

“O sistema olfativo dos peixes é muito complexo, quase como o dos humanos” explicou ao El País Adam Gouraguine, o principal autor do estudo e estudante de doutoramento da Universidade de Essex, no Reino Unido.

Para levar a cabo a experiência, os investigadores utilizaram um sistema de seleção de fluidos que permite distinguir, no mesmo espaço, duas massas de água com odores distintos sem que estas se cheguem a misturar. O objetivo é comprovar como se comportam os peixes perante cheiros diferentes.

No total, os investigadores expuseram os peixes a cinco massas de água com diferentes cheiros, e contrapuseram uma massa de água com cheiro a uma massa de água sem cheiro, com excepção da última experiência em que ambas as massas de água não tinham odor.

“Usámos sempre peixes novos, que primeiro tivemos de pescar e posteriormente, quando terminava a experiência, devolvíamos ao mar ”, explica Gouraguine. O investigador acrescenta que “cada peixe passou uns quinze minutos em cada massa de água”.

Cada uma das cinco experiências, uma por cada odor, foram realizadas com trinta peixes diferentes, da mesma espécie. Como se trata de uma espécie selvagem não se podia detê-la demasiado tempo em cativeiro e, além disso, “corríamos o risco de que o peixe percebesse que o cheiro não era real”, explicou o investigador.

Assim, os investigadores concluíram que os peixes tordo nadam mais rapidamente e fazem movimentos mais bruscos em água com odor devido, segundo Adam Gouraguine, a um mecanismo de defesa relacionado com a alimentação.

“Na água com cheiro à sua espécie, os tordo sente-se a salvo por isso nadam mais rapidamente. Sentem-se mais tranquilos em comunidade”, termina Gouraguine.