Ciência e Saúde

DESCOBERTA RELAÇÃO ENTRE AS BACTÉRIAS INTESTINAIS E O PARKINSON

A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa que atinge cerca de 1% da população mundial com mais de 65 anos. Recentemente, uma nova perspetiva surgiu. Será que há relação entre esta patologia e as bactérias do intestino? A investigadora Sandra Cardoso tenta responder a esta questão.
Fotografia por A Razão

O projeto de investigação, vencedor de um prémio de 200 mil euros atribuído pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa,  procura encontrar uma relação de causalidade entre a doença de Parkinson e um tipo especifico de bactérias que habitam na flora intestinal.

A equipa liderada por Sandra Cardoso, investigadora da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e do Centro de Neurociências e Biologia Celular, suspeita que a doença de Parkinson adquirida (sem história familiar) pode ser despoletada por neurotoxinas que são libertadas pelas melainabactérias intestinais.

Posteriormente as neurotoxinas podem ser transportadas até ao cérebro, onde atacam as mitocôndrias das células cerebrais. As mitocôndrias são os organelos responsáveis pela produção energética das células. Desta forma, as neurotoxinas potenciam a degeneração celular – acontecimento característico da doença de Parkinson.

A investigação começou através da observação de sinais e sintomas que levantaram algumas suspeitas. Por exemplo, foi observado que alguns doentes apresentavam queixas de obstipação que antecediam os sintomas motores da doença de Parkinson. Por outro lado, diversos estudos anteriores evidenciaram já uma relação entre o microbioma intestinal e o cérebro.

Se esta relação se comprovar, a presença destas melainabactérias intestinais vai poder servir como um biomarcador da doença de Parkinson para evitar a degeneração celular. Isto pode ser atingido, segundo a investigadora Sandra Cardoso, “identificando alvos para novos fármacos com um efeito combinado de antibiótico e antiparkinsoniano”.