Ciência e Saúde

PORTUGUESES MAIS VELHOS ENTRE OS MENOS FELIZES DA EUROPA

Mais de metade dos idosos europeus consideram ter um passado feliz. No entanto, apenas 26,9% dos portugueses com mais de 50 anos diz ter uma vida satisfatória até ao momento.
Fotografia por Matheus Mans

O envelhecimento coloca em cima da mesa uma reflexão sobre toda a vida passada.  Os estudos “Envelhecimento em Lisboa, Portugal e na Europa” e SHARE (Survey of Health, Ageing and Retirement in Europe) mostram que os portugueses mais velhos consideram não terem tido uma vida feliz.

Os resultados foram publicados pelo Instituto do Envelhecimento de Ciências Sociais. As amostras do trabalho foram indivíduos com mais de 50 anos residentes em Portugal, Espanha, República Checa e Suécia.

De acordo com a investigação, 50,8% dos indivíduos com mais de 50 anos afirmam ter tido uma vida feliz. Em contraste com os 16 países da Europa estudados, Portugal apresenta apenas 26,9% dos inquiridos a admitirem o mesmo. Além disso, os portugueses mostram pouca esperança num futuro próspero em comparação com os suecos, espanhóis e checos.

Em Portugal, o estudo contou com 2080 participantes com uma média de idades de 66 anos. A investigação também estudou locais específicos, como Lisboa, onde a amostra incluiu 501 inquiridos, com aproximadamente 68 anos. Os dados foram comparados com os resultados do último inquérito SHARE que incluiu 16 países no seu estudo e cerca de 58 mil pessoas.

Manuel Villaverde Cabral, diretor do Instituto do Envelhecimento da Universidade de Lisboa, afirma que “do ponto de vista subjectivo, é “indiscutível” que para os portugueses é “mais duro ou mais difícil” envelhecer”.

Estas conclusões foram explicadas por vários fatores. Um deles é a crise financeira e as dificuldades salariais e de rendimento destas faixas etárias. Outro fator é o estado débil da saúde mental dos inquiridos – apenas 40% afirmaram ter uma saúde mental boa. Além disso, o facto de 36% dos indivíduos com mais de 50 anos apresentarem sintomas de pessimismo, depressão e fadiga também tenta explicar as conclusões do estudo.

O estudo permite averiguar que, para os portugueses com mais de 50 anos, o passado não foi afortunado, o presente está crítico e a esperança num futuro é inexistente.